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Esse post foi baseado completamente, chupinhado no http://academicosdogc.blogspot.com/ 

(ECAD, to nem aí)

Então vamos lá:

  1. Se não existe amor em SP, não existe seta no RJ.
  2. Metro funciona 24h… mas o carnaval acaba pontualmente as 0h de terça feira (pelo menos eles obrigam você a isso).
  3. Em compensação começa em algum momento na sexta-feira, preferencialmente de manhã.
  4. O desrespeito pela ordem é igualado pela simpatia e pelo quebra-galho das pessoas.
  5. A é mais fácil ir para SP do centro do Rio do que chegar na Barra.
  6. Biscoito Globo é a maior jogada de Marketing que existe, sem gosto, mole e caro.
  7. SP nunca, nunca, NUNCA, vai ter uma coisa assim. É uma questão sociológica. 
  8. A Lapa é tudo isso que eles falam.
  9. Aparentemente eles nunca viram um paulista na frente, é só encontrar um que ficam tirando com o sotaque.
  10. O Rio de Janeiro, apesar de tudo, e com a desculpa do chavão, continua lindo. 

Perfis Digigráficos.

Recentemente a DM9DDB resolveu lançar um pequeno estudo sobre como as pessoas interagem na internet, o comunicadores fez um post sobre isso. Mas também um resumo nesse videozinho:

Bom, tudo tranquilo, tudo legal, Mas como tudo é uma redução. E seguindo as frasezinhas prontas: todo exagero é errado, a unanimidade burra, a média esquece o específico e tudo mais. Tudo isso é obvio. E em suma o trabalho foi muito bem feito.

Mas o que a DM9, que não é besta, quer? Ela conseguiu ser trending. Ela é grande, ela não pode se arriscar a falar algo sem algum embasamento, e, na duvida, ela fala o mesmo de sempre. Os perfis qu e ela criou não avança em absolutamente nada daqueles que a gente já conhece, a diferença é que agora é uma agencia grande dizendo isso.

O Nizan foi na campus party, falou sobre empresas nas redes sociais. Tenho muitos amigos na DM9 que também trabalham com Social Media e? E que a estratégia de lançar esse videozinho foi excelente porque fala para e daqueles que estão conectados. As pessoas gostaram porque retataram ela de uma forma bonitinha, e é exatamente aí que as coisas começam a ficar mais interessantes.

Gostamos que falem de nós. Sobre nós. Gostamos que digam o que nós parecemos e eventualmente até o que pode acontecer.  Talvez o sistema de perfis mais antigo seja o Horóscopo (não sou nenhum estudioso sobre isso, mas certamente haverão outros). De lá pra cá boa parte da psicologia se aproveitou para compartimentar o homem, seja na maneira de pensar, nos medos ou em sintomas. Não há nada de errado sobre isso, é assim que se fez ciencia nos ultimos 2500 anos (e possivelmente nos próximos 2500).

Mas certamente também é por isso que todo mundo ficou contente com o videozinho. Agora eu posso me encaixar porque a DM9 me disse em que perfil eu estou. Eu não sou mais um estranho, eu sou mais um ________.

Narcisismo, a gente vê por aqui.

Netiqueta

Não, a internet não é um filhote do mundo real. Não, os comportamentos não são iguais porque as pessoas não são as mesmas. No momento que temos que pensar como queremos ser chamados, qual expressão queremos ter, nós vamos limitando a quantidade de informações não diretas que passamos para as outras pessoas.

O medo de ter um maluco ‘protegido’ por um computador, apesar de ser exagerado, tem um ‘quê’ de realidade, o monitor e a rede protege, de certa forma, as pessoas. Nesse momento, estou escrevendo um texto, tentando compartilhar uma ideia, já reescrevi algumas vezes as frases porque não senti que seria entendido. Se fosse ao vivo não teria essa opção. 

É preciso uma transformação e uma adaptação a essa nova estrutura de relação é mediada por leis próprias. Na internet nunca estamos sozinhos mas também nunca estamos com alguém, a grande parte dos ‘shares’ e ‘tweets’ são um grande pedido de aceitação e validação de que somos, de alguma forma, importantes. 

Porque copiamos

Uma estratégia comum do nosso cerebro é copiar ações. Assunto ‘em voga’ em todas os jornais é os neurônios-espelho, preparados para copiar o que vemos por ai. Os velhos métodos de ensino de lingua já usavam coisa parecida, nos fazendo repetir exatamente o que nós ouvimos.

A questão é que fazemos isso mais do que percebemos e como uma maneira de fazer parte de um ambiente. Não sabemos ao certo como proceder em muitas situações, localizamos quem está no topo da cadeia ‘social’ e começamos a copiar o que ele faz. ‘Se deu certo para ele, farei igual’. Obviamente a perspectiva de quem está no topo muda de pessoa para pessoa, uma vez que o ídolo de cada um é diferente.

No fundo nossos comportamentos são, de uma certa forma, uma tentativa de chamar a atenção e conseguir algum tipo de lucro social. Aprender qual as maneiras para ‘subir’ é uma maneira bem simples, efetiva e comprovada evolutivamente como certa. 

Eu quero sempre mais…

(2012, ano novo vida nova, clichês velhos, promessas mesmas. Vou mudar um pouco esse blog pq eu quero e vai ficar mais cotidiano, um pouco mais pessoal, os parenteses são para justificar o conteúdo tão… cotidiano)

A gente quer sempre mais, mas blá, qual a novidade?

Ontem vendo um filme americano estrelado pela Christina Aguilera me fez pensar como os americanos nunca estão contentes com o que já tem. Lembrei-me de uma aula do Ary Rehefeld que contava que quando ele era criança chegou o ‘hamburguer’ no Brasil e como a maior diversão era comer aquela carne e pão. Sim, sem queijo.

Queijo, alface, maionese e o escambau-a-quatro vinha depois. Sim sim, eu sei ‘é mais um daqueles ‘aproveite o pequeno, o simples’. Mas com esse rolo do BBB, de estupronãoestuproatriz e etc, veio a calhar. Se ano passado a grande coisa é que uma participante fez (ou não?) sexo oral, esse estupro (e ai vem os moralistas de plantão ‘Onde esse mundo vai parar?’) é só mais uma coisa na grande linha ‘não estamos contentes com o que temos’.

São as pessoas que dizem que a Monalisa é só um quadro, que Coltrane é só um jazzista, que a 5a sinfonia é só uma musica.

Não, eles não cantam, dançam. Eles só fazem o que eles sempre fizeram o tempo todo.

Chame-me de bobo, mas a diversão está no contexto e em pequenas pinceladas, sons dissonantes. As coisas não são sempre iguais, elas podem se parecer, mas se elas são bem feitas sempre vão ter camadas de entendimento que não estamos ainda prontos para perceber.

(ao mesmo tempo que Heindegger já coloca que a ‘ansia pelo novo’ é um dos aspectos do dasein na Queda para a impropriedade, mas se eu coloco isso aqui as pessoas vão entender como sendo uma coisa ruim uma vez que nunca é bom cair ou ser impróprio, mas já digo de antemão, todo e qualquer julgamento que algo é melhor que outro foge da minha proposta de vida)

Afinal, o que eu faço?

Talvez eu trabalhe em uma das profissões mais mal-compreendidas da sociedade moderna. Já me chamaram de charlatão, substituidor de padre, profissional em bate-papo e mago.

Elogios a parte é realmente uma das características de ser psicologo ser mal-compreendido e é bem claro isso porque trabalho com algo que dificilmente é entendido, e nunca vai ser totalmente entendido. No momento que conseguirem descrever o ser humano por completo e capaz de prever todas suas atitudes, o mundo acabou.

(tem até uma piada: ‘um dia um homem conseguiu descobrir o que uma mulher realmente quer, ela mudou de opinião logo depois)

Mas e ai? E ai que, uma das, funções do psicoterapeuta é ser quase que um grande dicionário para as pessoas, muitas vezes sentimos coisas que não sabemos o que é e aí que entra o terapeuta. Não vou te dizer o que você está sentindo mas ajudar você a sentir isso. Tristezas que são mascaradas como raiva, medo de algo que se fantasia de insegurança.

Não que você vai fazer alguma coisa, “puxa agora eu sei que na verdade estou triste, mas e ai?”, e aí nada, você não deixa de ficar com raiva ou triste, mas de certa forma as fumaças e sombras que te fazem tropeçar e cair acabam se mostrando menores e mais inofensivas.

Grande parte das vezes não é uma questão de fazer alguma coisa, é de como pensar a respeito.

Não, não é a incosnciência, ou inconsciente, ou psicnálise.

Acredito que as pessoas tem algumas opções de vida quando resolvem levantar da cama mas que não acabam se tornando realidade quando acabam de escovar os dentes.

O mundo vem e nos atropela de problemas. De contas para pagar ou, mais perigosos, de sentimentos que não sabemos de onde vem, tampouco para onde envia-los. O problema é que a tendência e chuta-los para escanteio, não dar muita noção.

Vendo um discurso do Charlie Kaufman para o BAFTA (estou ainda analisando e tentando entender, eventualmente publico) ele é uma aula de como falar de si mesmo honestamente sem pieguice. Em determinado momento ele conta que um trailer o deixa depressivo, não negativamente, mas com curiosidade.

Aí que está a diferença, constantemente somos atordoados por chamados do mundo, que nos invade sorrateiramente. As coisas vem e nos provocam mas grande parte da vezes não percebemos que somos atordoados. A diferença é exatamente em perceber que estamos assim. A consciencia.

Só sei que estou mal porque sei que estive bem, sei me identificar mal, sei me conhecer feliz. E no momento que percebo a minha alteração de espírito posso ficar mais tranquilo. Não necessariamente melhor.

Eu sei que sou assim e tomo responsabilidade por isso. Não importa o porque eu estou assim, ou se eu estou assim por uma razão interna/externa, estou assim porque estou assim, e assim vou precisar fazer, EU, alguma coisa a respeito se me for interessante. 

“Desculpa, to estressado porque…” te desculpo por estar estressado, não te desculpo por ter me tratado assim. A culpa é sua. Não sou responsável por tua vida, mas você é responsável pela maneira que você me trata. 

Tenha consciencia de que você está assim. De que as coisas te provocam. Seja honesto. 

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