Feeds:
Posts
Comentários

Site pessoal

Olá,

gostaria de avisar que agora há um site com todos os textos e mais informações sobre mim e meu trabalho! O Site é Pedro Psicologo e para ir direto ao blog

Anúncios

Resumo: semana passada uma pessoa influente no Twitter tentou cometer suicídio, supostamente tomou algumas doses de um remédio psiquiátrico com bebida. Quando tudo isso fez efeito, celular em mãos tuitou frases desconexas, muitas vezes nem palavras eram junto com uma carta. Foi socorrida por pessoas próximas que viram, via Twitter e chamaram os bombeiros que invadiram sua casa. Ela foi levada para o hospital e salva.

Queria aqui, sem julgamento de valor, tentar explicar o que aconteceu.

Algumas coisas se sucederam nesse meio tempo, e dessas que eu acho interessante serem destrinchadas com mais calma. Tão logo os primeiros tuites começaram e a ‘comunidade’ começou os movimentos. Com 60mil seguidores ela é um líder e influente, e consequentemente os ânimos se animam, principalmente por parte de outras pessoas que se vangloriam por ‘quebrar as regras’ (a turma da zoeira).

Brincar com o que ela “disse” (uma vez que nem palavras eram) foi primeira grande imitação que essas pessoas fizeram, mas tão logo ela foi salva outro julgamento que isso seria uma tentativa de chamar a atenção.

Vamos entender uma coisa, todo suicídio não é uma tentativa de chamar a atenção, a pessoa já superou isso, ela quer, realmente, colocar um fim no sofrimento. Chamar atenção é colocar um vestido rosa, pendurar uma melancia na cabeça.

Corajoso ou fraqueza, é um ato de desespero, de últimas consequências.

O diferente nessa situação é que ela foi até o Twitter para deixar, ainda consciente, seu desespero transbordar. Não sei, nem ninguém o que ela queria com isso, mas via na relação que ela tinha com a tela, e com as pessoas por trás, um lugar importante e firme o suficiente para acolhe-la.

Qualquer argumento que fale ‘ah, mas se ela quisesse mesmo ela teria feito isso ou aquilo’. Isso é uma visão estereotipada e fantasiosa do que realmente acontece, grande parte dos suicídios não são calculados, a pessoa não está completamente a par das suas faculdades psicológicas. Outra grande parte são as pessoas que querem mas se seguram na ultima hora, ou desiste quando é ‘tarde demais’, e acabam conseguindo.

Ela quis mesmo, quis o suficiente para fazer tudo que ela fez. E isso que é a realidade que sabemos.

Me chama atenção as outras pessoas que se utilizam deste absoluto desespero para, aí sim, ganhar atenção. Essas pessoas são as ‘verdadeiras’ attention whores, ou ‘putinhas de atenção’ como a @choracuica coloca. E isso é absolutamente compreensível se, no final, só existimos dentro da rede social se alguém, do outro lado da tela, nos dá essa existência.

São as mentions, os RT’s… aquelas coisinhas que asseguram que alguém ali está recebendo tudo que estamos fazendo, e nos instiga a fazer mais. E essa coisa é tão forte que algumas “convenções sociais” acabam ficando mais flexíveis. Tão logo nos transportamos para o cibermundo algumas pessoas se sentem fortes para tratar de assuntos que não seriam tratados tão abertamente fora dele.

Uma situação como essa é perfeita para as pessoas se aproveitarem. Se em um ambiente ‘comum’ já atrai atenção o suficiente, aqueles que foram sugados pela atenção-digital, eles aproveitarão para puxar um pouco para ‘si’ esse ato de desespero. Há quase uma disputa, tal qual acontece nas televisões abertas (Legendários, Teste de Fidelidade e afins tão ai) quem consegue chocar mais ganha mais atenção. É então uma imitação de alguém que conseguiu algo que eles querem (atenção), e aí sim, colocam seus vestidos rosas e suas melancias aonde bem entenderem.

Por fim é interessante como, enquanto levantou-se a dúvida se era tudo uma estória, sentimo-nos traídos por ter confiado, não houve uma separação entre o On e o Off. É a falta de informação junto com a proximidade que sentimos ter com outra pessoa que está por entre sua arroba.

Em tempo: pessoalmente eu acredito que ela tenha tentado, realmente, por um fim no seu sofrimento e que ela precisa de ajuda, toda que ela puder.

Das mortes no Twitter

Claro que estamos tristes, que nenhuma morte é bacana. Não pergunte por quem os sinos dobram. OK.

Mas e o Twitter, o que tudo tem a ver com isso, e por que a galera fica em polvo rosa assim que acontece alguma coisa?

Não há uma resposta simples – tão pouco uma resposta definitiva – estamos falando de muitas coisas completamente relacionadas e complexas, do processo de enlutmanento, das funções e correlações do grupo, das redes sociais e da formação e um perfil dentro da rede.

Para jogar uma luz sobre isso tudo volto à uma das primeiras percepções do Jack Dorsey (um dos criadores da ferramenta) que notou a super-utilização da rede em momentos de comoção ou união de um grupo. Seja na posse presidencial, momentos de tragédia, jogos do Corinthians. Toda vez que há alguma coisa que una um pequeno grupo há espaço para o Twitter. Só ver que uma ‘métrica’ utilizada para entender o ibope de determinada coisa é a quantidade de ‘tweets por minuto’.

A morte de alguém famoso se encaixa nessa categoria.

Ok, temos um grupo. Então vamos entender o grupo, e como grupo ele tem características próprias. Desde que o mundo é mundo o homem vive em grupo, aprende e constrói em grupo. Isso é tão nosso que alguém sozinho não é apenas ‘alguem sozinho’, é um ‘ermitão’ ou o Zaratrusta.

O grupo formado então precisa de algum norte e consequentemente, um sul. Prestenção, toda vez que há uma comoção dessa formam-se dois grupos, os que atacam e os que defendem: ‘ó coitado eram um anjo’ x ‘agora que morreu todo mundo vai achar que ele era um anjo’.

Isso porque antagonismos fortalecem o grupo, os dois. E e quanto mais antagonismo melhor, mais forte. As opiniões ficam mais extremas e ganha quem conseguir chutar mais longe o pau da barraca, e por ganha eu quero dizer ‘tem mais RT’.

Porque se há um grupo, há um líder, e esse líder é o cara que consegue ‘falar mais alto, pintar em cores mais fortes (..) ser o carregador do bastião’ (isso é do Freud, OK). Daí surgem, de um lado, os patrulhadores da moral e dos bons costumes, do politicamente correto, do ‘isso não é motivo para brincar’ do outro os ‘trolls’ (vc sabe o que é um?).

A disputinha para ver quem consegue a maior quantidade de RT’s, favs, mentions, e seguidores é inerente a fazer parte desse grupo. Atenção: não é que todo mundo faz isso, muita gente desencana, e também uma boa parte das pessoas faz isso sem querer (essas ultimas que ficam de butthurt quando alguém aponta o dedo para elas e as chamas de att whore, porque elas não querem isso).

Concordemos, receber um RTzinho sequer é gostoso, faz nos sentir…. vivo. É isso aí mesmo, porque o que somos, no Twitter, senão um monte de fotinho com bio, se ninguém fala com a gente, ou dá um RT, um Fav ou algum sinal de fumaça que, de fato, estamos sendo ouvidos, não temos certeza. Mas isso é assunto para outro dia.

Voltando para as mortes, ou o processo de ‘aceitá-las’ no Twitter…

Tenho dificuldades para aceitar que o Twitter também tem o efeito acalentador, porque volto a me perguntar quem somos nós dentro dessa rede e o que elas nos faz. Não acho que seja falso, mas também não é totalmente verdadeiro. Sinto-me confortável com a ideia de que as redes são, de certa forma, uma realidade aumentada, uma nova dimensão dentro da existência de cada um.

E talvez nessa existência, e ainda estou para compreender melhor a ‘profundidade’ dela seja bacana ser esse líder  ou esse fã tão forte que chora por alguém que nunca viu (ou evitava conhecer).

ps: Esse post foi uma sugestão do Eddie, estou abrindo um cantinho para pedidos do leitor, quem quiser me avisa!

Eu tento não usar esse espaço como um espaço de discussão politica mas essa publicidade toda sobre as ETEC’s me chamaram para dizer algumas coisas.

Antes de qualquer coisa, eu acho a proposta da FATEC como maneira de dar oportunidade para quem não conseguiria cursar uma faculdade, aprender uma técnica algo positivo. Mas daí ficar fazendo propaganda que é algo excelente, não, não é.

Por uma razão básica, a FATEC é o supra-sumo da mão-de-obra qualificada. Isto é, a preocupação da FATEC é preparar o aluno para entrar no mercado de trabalho, conseguir um emprego melhor qualificado. No próprio site ” Os cursos da FATEC-SP já colocaram no mercado de trabalho mais de 17 000 Tecnólogos”.

Prestem atenção na palavra ‘tecnólogos‘.

Há uma diferença grande entre um Bacharelado/Licenciatura e Tecnólogo. Na diretriz do MEC, quem fez FATEC não tem o mesmo diploma:

“Conforme a Resolução CNE/CP 3 (http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/CP032002.pdf), de 18 de dezembro de 2002, Art. 4º, “os cursos superiores de tecnologia são de graduação, com características especiais, e obedecerão às diretrizes contidas no Parecer CNE/CES 436/2001 e conduzirão à obtenção de diploma de tecnólogo”.”

Ou seja, há uma diferenciação entre uma faculdade ‘tradicional’ e uma faculdade de tecnologia, a começar burocraticamente. Mas porque isso?

Pela percepção simples do que o ensino superior é, ou deve ser. Vamos contrapor:

Há um discurso tão velho quanto o USAID que os paises ‘emergentes’ (na época de 3o mundo) precisam ser grandes celeiros de mão de  obra, e quanto mais técnica, melhor. Qual a solução então? Criar faculdades técnicas, um ensino superior preocupado em aprender métodos, assim as pessoas serão profissionais ótimas. 

Por outro lado há a preocupação de uma faculdade crítica. Uma faculdade que não foque em ensinar quais os métodos mais avançados em determinado assunto, mas que coloque o aluno para pensar sobre como aquela coisa é feita daquela maneira. Desse jeito você pode dar a chance para que ele possa mudar aquilo, ele é crítico, ele questiona se determinada coisa deve ser feito de determinado jeito.

Vamos dar um exemplo:

A faculdade de Tecnologia em Edifícios tem o foco em planejar e executar obras. O bacharelado de engenharia civil tem a preocupação não só na obra mas em todo o planejamento e estruturação da construção. 

Uma tem 3 anos de duração a outra não menos que 5 anos.

Estão entendendo?

FATEC’s são ótimas, dão uma chance para quem nunca conseguiria fazer uma faculdade, porque precisa trabalhar, preço, dificuldade dos vestibulares, e etc, fazer mas não são bacharelados. Elas ensinam ser ótimos naquilo que já existe. Os bacharéis aprendem a pensar naquilo que existe, para melhorar.

Então, desculpa, mas FATEC é tapar o buraco da falta de mão-de-obra qualificada. Nada contra, mas precisa ser explicada isso.

Na duvida, escolha um bacharelado/licenciatura você vai aprender mais. 

Coragem de escrever e de ser

Quem me conhece sabe que eu vivo me cercado de humanidade, de cotidianeidade, tentando entender a margem do ser, existir e reagir. Vejo as redes sociais como um excelente paradigma nesse sentido, isso porque questiona um conceito de que as pessoas somente são reação, na internet você precisa, em algum ponto, existir.

Claro que há muita gente que só assiste, assim como há pessoas que não se importam, mas cada vez mais, enquanto em contato com as coisas, ficamos mais tranquilos em meter a mão e se enfiar nessas redes, e eventualmente vamos perdendo o pudor. 

Isso porque, de certa forma, a internet vive à margem, podemos ‘avatarizar’, no contexto que ainda está para ser explicado aqui, mas de certa forma, nossa existencia dentro da rede vive a margem de nós mesmos ao mesmo tempo que pode permitir uma profundidade única. A liberdade de não ser diretamente identificavel,na proposta até mesmo freudiana de que coloco eu para ser o crivo do outro, faz com que a identificação, própria de um relacionamento, se estabeleça não com a pessoa (avatar) ‘em si’ mas com uma enorme projeção que temos daquilo.

E vale então o inverso, projetamos nós, off-line, uma ideia para o on-line, uma vez que o controle da exsistencia digital passa, necessariamente, por ferramentas, literalmente, manuais. São nossas mãos o ultimo critério para existir digitalmente, delas dependemos tudo.

Ao mesmo tempo aos poucos este tipo de esforço está ficando banal, a facilidade com que as pessoas vão agindo está transformando mais uma midia, a mais complexa de todas até agora, e isso me impressiona, como não há mais a barreira on/off tão clara quanto há 10, 5 anos atrás. Como nossos avatares digitais são tão responsáveis por nós quanto os avatares concretos, e vice-versa.

Ainda acho as palavras pesadas demais, preciso me apropriar melhor delas, ao menos delas escritas.

Invejo os letrados.

Não somos uma cadeira

Uma grande questão que surge é que somos sempre questionados pelos outros quem somos nós mesmo somos. O inferno são os outros porque eles sempre nos lembram que nós não somos algo fixo e sim absolutamente flexível e questionável. 

A insegurança vem e nos transforma, há diversas maneiras de reagir a ela, todas elas inconscientes. Há quem fique mais perdido ainda e foge para ficar sozinho, talvez assim tentando fugir dos questionamentos, ou aqueles que buscam ainda mais pessoas e o barulho da multidão amorteça a pergunta, ou aqueles que voltam contra todos, como um porco-espinho que acoado mostra seus espetos.

Em todo caso é uma forma de limitar o contato, como se fosse possível, assim, dar uma limitação em quanto posso ser questionado. Isso é ligado diretamente à angustia de ser. 

Não tem solução simples, faz parte de também poder mudar quem se é.

Não a toa, ser uma cadeira as vezes seria melhor

Esse post foi baseado completamente, chupinhado no http://academicosdogc.blogspot.com/ 

(ECAD, to nem aí)

Então vamos lá:

  1. Se não existe amor em SP, não existe seta no RJ.
  2. Metro funciona 24h… mas o carnaval acaba pontualmente as 0h de terça feira (pelo menos eles obrigam você a isso).
  3. Em compensação começa em algum momento na sexta-feira, preferencialmente de manhã.
  4. O desrespeito pela ordem é igualado pela simpatia e pelo quebra-galho das pessoas.
  5. A é mais fácil ir para SP do centro do Rio do que chegar na Barra.
  6. Biscoito Globo é a maior jogada de Marketing que existe, sem gosto, mole e caro.
  7. SP nunca, nunca, NUNCA, vai ter uma coisa assim. É uma questão sociológica. 
  8. A Lapa é tudo isso que eles falam.
  9. Aparentemente eles nunca viram um paulista na frente, é só encontrar um que ficam tirando com o sotaque.
  10. O Rio de Janeiro, apesar de tudo, e com a desculpa do chavão, continua lindo.